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26/Mar/2009 14:57 ENTREVISTA: "NA ATUÁRIA NÃO HÁ TANTO MATERIAL PARA LEITURA" A tecnologia e o mundo digital tomam conta cada vez mais do nosso cotidiano, e o mercado de seguros não está de fora desse movimento. A entrada de novas "cabeças pensantes" no setor, através da formação e incorporação de jovens profissionais, tem agilizado a adesão da indústria do seguro às novidades digitais. Felipe Araldi, aluno do 5º período do curso de Ciências Atuariais da UFRGS, é exemplo de pioneirismo e iniciativa na área. Por não "conseguir mais se contentar com as doses homeopáticas de atuária da faculdade", ele procurou outras formas de conhecimento e informação na área e decidiu criar, em em abril de 2008, o "Provisões Blogue - Conexões cibernéticas em atuária, seguros e previdência" (http://provisoes.wordpress.com), que traz notícias sobre o setor. Felipe conta no site que ainda há pouco material sobre atuária circulando na internet e que dificilmente é possível conseguir algum impresso. "A maioria das páginas que conheço sobre seguros só fazem clipping de notícias do setor (exceções seriam as da Fenaseg e Funenseg)", diz ele, mas quem sabe, com a ajuda de estudantes e profissionais como Felipe, as coisas não comecem a mudar. A RBRS conversou com exclusividade com Felipe, que lembra que "tão importante quanto a produção de conhecimento, é o compartilhamento de conteúdo." Quando o blog foi criado? O Provisões surgiu efetivamente em abril de 2008 e ficou algumas semanas em "versão beta fechada" para alguns amigos e colegas, que deram sugestões muito valiosas. Quando, no começo de junho, estreou sua versão aberta, já havia alguns textos escritos e uma estrutura sólida. O que o incentivou a escrever um blog sobre atuária, seguros e previdência? Na atuária não há tanto material para leitura quanto em outras ciências. Como na UFRGS, onde estudo, há pouca bibliografia específica, desde o início do curso me dediquei a procurar textos que pudessem complementar as matérias dadas em aula. Passei a trocar experiências com colegas da UFRGS e de outras instituições, e inserir esses temas nas minhas contribuções na Wikipédia e projetos afim. Então surgiu a ideia de montar uma página para divulgar textos, trazer algumas notícias e compartilhar descobertas sobre esses temas. A opção pelo formato de blogue deveu-se à facilidade desta plataforma e a inspiração que tive com páginas deste tipo de estudantes de atuária de outros países, embora num formato um pouco diferente. Como são os blogs de atuária em outros países? Há alguns estudantes de atuária nos EUA e Canadá que possuem blog sobre o tema, mas lá o esquema é diferente: eles fazem exames para conseguir o título de atuário e por isso as páginas são mais voltadas à matéria que estão estudando e afins. Onde você busca material para abastecer o portal? Não tenho um "modos operandi" muito definido. Uso basicamente a internet, pela facilidade de obter e replicar as informações, mas também faço consultas a bibliotecas, jornais e reporto participações em eventos e no cotidiano acadêmico. Para facilitar a busca e filtragem das informações na internet, uso tecnologias como RSS, alertas para correio-eletrônico, redes sociais, etc. Como tem sido a aceitação ao portal? Apesar de ser um blogue de nicho, a aceitação do Provisões tem sido satisfatória. Recebo cumprimentos por diversos meios, ganhei alguns leitores fiéis, amigos e até sondagens de emprego. Como o público é basicamente formado por estudantes de ciências atuariais e alguns atuários, pautas que envolvem educação e profissionalismo são as de maior aceitação. Na sua opinião, qual a importância de existir blogs e outros sites independentes falando sobre seguros? Acho a utilização da internet fundamental tanto profissional quanto academicamente. É muito legal quando os professores utilizam recursos tecnológicos para complementar a formação, quando colegas distribuem resumos que ajudam nos estudos e quando entidades rompem fronteiras geográficas pela rede. Tão importante quanto a produção de conhecimento, é o compartilhamento de conteúdo. Quanto maior o número de pessoas se dedicando ao seguro, à previdência e à atuária, maiores são as possibilidades de desinvolvimento destes temas.
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